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31/01/2008 20.19.30



BENTO XVI: CIÊNCIA QUE NÃO RESPEITA DIGNIDADE DO HOMEM NÃO É VERDEIRO PROGRESSO






Cidade do Vaticano, 31 jan (RV) - Um discurso inflamado sobre a doutrina da Igreja e o ecumenismo, sobre os princípios da evangelização, e sobre os desafios que o progresso das tecnologias biomédicas apresentam aos cristãos: assim foi o discurso do Santo Padre na audiência realizada na manhã desta quinta-feira, na Sala Clementina, no Vaticano, aos participantes da plenária da Congregação para a Doutrina da Fé.

"Na formação de sua consciência", os cristãos "devem considerar, diligentemente, a doutrina sagrada e certa da Igreja", que é "mestra da verdade", por vontade de Cristo. Bento XVI citou o documento conciliar Dignitatis Humanae para reiterar quais são as orientações que os fiéis devem seguir, também diante dos problemas difíceis e complexos apresentados hoje pela bioética.

O magistério da Igreja _ assegurou o papa _ "não pode e não deve intervir sobre cada novidade da ciência, mas tem a tarefa de reiterar os grandes valores em jogo e de propor", a todos os homens de boa vontade, princípios éticos e morais: "Os dois critérios fundamentais para o discernimento moral neste campo são o respeito incondicional pelo ser humano como pessoa, desde sua concepção até a morte natural; e o respeito pela originalidade da transmissão da vida humana mediante os atos próprios dos cônjuges."

O Santo Padre recordou que, após a publicação, em 1987, da instrução Donum Vitae, que havia enunciado tais critérios, muitos criticaram o magistério da Igreja, "denunciando-o como se fosse um obstáculo à ciência e ao progresso da humanidade".

Todavia _ argumentou _ "os novos problemas ligados, por exemplo, ao congelamento dos embriões humanos, à redução embrionária, ao diagnóstico pré-implantação, às pesquisas sobre as células-tronco embrionárias e às tentativas de clonagem humana mostram claramente como, por exemplo, com a fecundação artificial extracorpórea, foi infringida a barreira colocada para tutelar a dignidade humana".

"Quando seres humanos, no estado mais frágil e indefeso de sua existência, são selecionados, abandonados, assassinados ou utilizados como puro "material biológico", como negar que eles tenham sido tratados não mais como um "alguém", mas como "alguma coisa", colocando assim, em questão, o próprio conceito de dignidade do homem?"

Certamente _ prosseguiu _ "a Igreja aprecia e encoraja o progresso das ciências biomédicas, que abrem perspectivas terapêuticas até então desconhecidas, mediante as terapias voltadas à restituição da fertilidade ou ao tratamento das doenças genéticas".

Todavia, "ela sente o dever de iluminar as consciências de todos, a fim de que o progresso científico seja verdadeiramente respeitoso de todo ser humano, a quem deve ser reconhecida a dignidade de pessoa, criada à imagem de Deus".

Bento XVI dedicou parte de seu discurso à doutrina da Igreja e à evangelização, a partir de dois documentos publicados pela Congregação para a Doutrina da Fé, em 2007.

O primeiro documento, sobre alguns aspectos acerca da doutrina da Igreja _ afirmou _ repropõe "o ensinamento do Concílio Vaticano II" e confirma que "a una e única Igreja de Cristo tem a sua subsistência, permanência e estabilidade na Igreja católica".

Além disso _ acrescentou _ o documento chama a atenção "sobre a diferença que ainda permanece entre as diversas confissões cristãs, em relação à compreensão do ser Igreja no sentido propriamente teológico".

"Isso, longe de impedir o compromisso ecumênico autêntico, servirá de estímulo para que o confronto sobre questões doutrinais se dê sempre com realismo e plena consciência dos aspectos que ainda separam as Confissões cristãs, bem como no reconhecimento alegre das verdades de fé juntamente professadas e na necessidade de rezar incessantemente por um caminho mais diligente rumo a uma maior e _ no final _ plena unidade dos cristãos."

O segundo documento é a "Nota doutrinal sobre alguns aspectos da evangelização", publicada em dezembro passado. Diante do "risco de um persistente relativismo do diálogo entre as religiões e as culturas" _ advertiu _ "a Igreja, no tempo do diálogo entre as religiões e as culturas, não se dispensa da necessidade da evangelização e da atividade missionária junto aos povos". Ao mesmo tempo _ reiterou _ não "cessa de pedir aos homens que acolham a salvação oferecida a todos os povos". (RL/AF)


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